segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Resenha: Jane Eyre, Charlotte Brontë

Eu sei que quando se diz clássico, a maioria das pessoas pensam:” leitura demorada”, bem , foi o que pensei quando fui ler Jane Eyre, um clássico publicado no século XIX, que esta longe de ser chato, cansativo e maçante.

A autora, Charlotte Brontë, tem uma narrativa de vanguarda para uma época em que o preconceito contra a independência feminina era muito forte. Este livro tem muito de autobiográfico da autora, muitas passagens e situações da protagonista podem ser bem próximos da vida real da Miss Brontë. Narrativa, fluida, personagens bastante cativantes são encontrados desde as primeiras páginas até a última.
O romance tem alguns elementos góticos, embora não seja desta época, na verdade tem muita simbologia durante a leitura. Como Charlotte é um pouco a frente da Jane Austen, notamos uma certa independência da mulher em seu primórdios de conquistas, como: trabalhar e ganhar seu sustento sem a necessidade de casamento, um marido, ou um pai ao qual dependesse. Algumas mulheres desta época, como a própria Charlotte, eram mais questionadoras, sem tanto medo de dizer o que pensa, com certas liberdade em assuntos restritos à homens e até conversas com homens que antes era bem pouco comum.

A saga de trágicos acontecimentos da pobre órfã Jane, acabou de começar assim que nasceu. Morando de favor com seu Tio, que falece muito cedo, ela é enviada à um internato porque sua Tia não quis cria-la, simplesmente por ser pobre e não gostar da garota. Mandada para Lowood, Jane começa seu caminho em busca da liberdade, da independência, neste lugar conhece a doce, meiga e madura Helen Burns.
Depois que Jane cresce vira professora onde estudou e logo após preceptora de Adèle, protegida do Mr. Rochester. Quando ela vai para a grande Thornfield Hall, seu novo lar, começam mudanças muito significativas em sua vida. O clima da mansão é de mistérios e suspenses, que mistérios guardam as paredes de Thornfield? Para nossa querida, inteligente e curiosa Jane é só um catalisador para que ela vá atrás de respostas.

Personagesn favoritos:
Helen Burns
Helen é uma personagem que me conquistou desde o início, quanto mais a conhecia mais a admirava e me encantava com tamanha sabedoria e maturidade, sendo ela apenas uma criança. Acredito que a autora quis mostrar a importância de não superestimar as pessoas, que podemos aprender muito e tirar grandes ensinamentos de pessoas simples. Helen é uma órfã de mãe que já esta à algum tempo no internato, uma criança que sofre muitos maus tratos em Lowood, mas que encara tudo com muita compreensão e certa resignação. Helen tem suas crenças muito bem definidas, e acredita em coisas maiores que a vida, com sua fé inabalável tirei muito aprendizado que acredito formaram e muito o comportamento e caráter de Jane Eyre.

Quote favorito sobre os diálogos com Helen:
“Você não seria mais feliz se tentasse esquecer a severidade dela, assim como as consequentes emoções provocadas em você? Acho que a vida é curta demais para ser gasta com animosidades, só pensando nos acontecimentos ruins. Somos, e devemos ser, todos nós neste mundo, pessoas cheias de defeitos. Mas um dia virá, espero, em que nos livraremos deles, quando nos livrarmos de nossos corpos impuros. Pág.: 74-75”

Mr Rochester
Um sujeito incomum, ou como a própria Jane fala: inconstante. Seu mau humor muitas vezes atrapalha o tornando desagradável. Ele é de uma natureza bem bruta, e se tornando terrível com as circunstâncias de sua vida que não foi nada fácil. Nunca foi um filho querido ou quisto, mas que acabou herdando toda a fortuna Rochester. Sozinho, com quase quarenta anos, ele viaja o mundo em busca de paz, de redenção, de algo que faça-o voltar a ser uma boa pessoa.
Quote:
 - Eu sabia – continuou ele – que, de alguma forma, você me faria bem, um dia. Vi isso em seus olhos, na primeira vez em que nos encontramos.” Pág.: 180

Jane Eyre
Personagem favorita de todos os tempos. Muito gentil e calma, ela guarda um espírito de liberdade e sem limites dentro de si. Como o próprio Rochester fala: "Se tivesse asas e liberdade voaria mais alto que as nuvens." É incrível como ela consegue ser contida, reservada, educada e ao mesmo tempo parecer ser um vulcão preste a explodir. O que mais admiro nesta personagem é fidelidade a seus princípios, seus valores, regras que ela mesma criou para si e nunca transgredi-las. Sozinha no mundo ela não tem ninguém a quem dar satisfação, mas ela respeita a si mesma, de tal forma a ser fiel e correta mesmo em horas de muito desespero e aflição.
Quote:
“Nenhum laço me prende à sociedade humana nesse instante; nada me atrai ou chama para o seio dos meus semelhantes. Ninguém que me visse agora me dedicaria um pensamento terno ou um desejo de boa sorte. Não tenho parentes, mas apenas a mãe universal, a natureza. E é em seu seio que buscarei repouso.” Pág.: 376


Um romance cheio de reviravoltas, um certo mistério, muito drama e amor na sua forma mais pura. Podemos encontrar também muita crueldade, e situações vividas ao extremo que nos faz refletir sobre nossa própria vida e comportamento. Jane Eyre, atemporal, nos faz aprender muito com personagens que poderíamos cruzar com eles hoje em dia, e uma heroína que nos inspira e que podemos nos identificar. Livro muito mais que recomendado, leitura simples, inteligente e muito reflexiva.


Resenha: Miss Brontë AQUI
Resenha do Seriado de 2006 BBC AQUI

Trailer Filme 2011

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