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domingo, 10 de dezembro de 2017

Resenha: O Beijo Traiçoeiro, Erin Beaty


Sinopse:
Com sua língua afiada e seu temperamento rebelde, Sage Fowler está longe de ser considerada uma dama — e não dá a mínima para isso. Depois de ser julgada inapta para o casamento, Sage acaba se tornando aprendiz de casamenteira e logo recebe uma tarefa importante: acompanhar a comitiva de jovens damas da nobreza a caminho do Concordium, um evento na capital do reino, onde uniões entre grandes famílias são firmadas. Para formar bons pares, Sage anota em um livro tudo o que consegue descobrir sobre as garotas e seus pretendentes — inclusive os oficiais de alta patente encarregados de proteger o grupo durante essa longa jornada. Conforme a escolta militar percebe uma conspiração se formando, Sage é recrutada por um belo soldado para conseguir informações. Quanto mais descobre em sua espionagem, mais ela se envolve numa teia de disfarces, intrigas e identidades secretas. E, com o destino do reino em jogo, a última coisa que esperava era viver um romance de tirar o fôlego. Fonte: Skoob


Neste romance da autora ela nos apresenta uma narrativa acessível, porém cheia de tramas e pistas para que o leitor vá seguindo-as e desvendando aos poucos. Mesmo sendo um gênero em que já estou acostumada e ser previsível, a autora surpreende com personagens e estória em pouco diferente da previsibilidade deste gênero.
Ao ler fique atento a cada detalhe e estranheza que a autora insere, pois irá ser importante ao avançar na leitura, o que deixa o livro muito mais instigante.

Com personagens bem construídos e cativantes, a autora cria protagonistas que conquistam o leitor a cada capítulo.
A começar por Sage Fowler, a heróina da estória que está longe de ser uma moça que segue os padrões da sociedade da época, de como uma mulher deve se comportar. Seus pais também não seguiam tais padrões, se casando por amor e educando a filha nos mais diversos assuntos: caça, ciências e principalmente leitura. Sage é a personagem mais inteligente desse livro, embora seus comportamentos criem inimigos, ela é elogiada por outros que dão seu devido valor. Sendo uma moça de vanguarda, ela não quer casar, alegando que nenhum pretendente a aguentaria, ou não estaria a sua altura? A maioria dos homens, principalmente daquela época, tem receio em se relacionar com mulheres inteligentes. E você pode falar “Ah! Mas naquele tempo não existia mulheres assim, porém Sage não é de toda selvagem e indomável, ela muitas vezes cede e se comporta como “deveria”, porque ela tem consciência de sua condição feminina do século 19, mas isso não a impede de tentar mudar e fazer o melhor, sendo útil da melhor forma possível, mesmo que vá contra o comportamento aceitável para seu sexo.

Na narrativa nos deparamos com homens bem machistas e retrógrados, que condiz com a época. Apesar que podemos notar a tentativa de alguns tentando mudar, como o tio da Sage que mesmo um homem que se importa muito com o que as pessoas pensam dele e sua família, ele cede muitas coisas por amor a Sage. E claro, não deixando o par protagonista de fora, que realmente a trata com uma parceira, uma aliada e não um objeto de adorno ou um contrato.

A trama foi bem desenvolvida e de tirar fôlego nas cenas de ação (dignas de Hollywood). Conduzindo muito bem seu enredo, com cenas envolventes e muito empolgantes, relacionamentos bem construídos, a autora me conquistou com este livro. Porém o livro deixa a desejar um pouco no final, deveria ter trabalhado melhor no seu desfecho, acrescentado um epílogo. Afinal temos intrigas da coroa, guerra, batalhas e um casal de protagonistas que dão o que falar.
No entanto, indico fortemente a leitura, livro que vale muito a pena por seus personagens e trama bem construídos.

Quote:
- Por que nunca se casou, Darnessa?
    - Pelo mesmo motivo que você – Darnessa respondeu com uma piscadinha marota. - Meus padrões são elevados demais.” Pág.: 62

domingo, 3 de dezembro de 2017

Resenha: Anne de Green Gables, L. M. Montgomery


Sinopse:
Tudo parecia confortável demais na vida dos irmãos Matthew e Marilla Cuthbert, mas o coração de Matthew começou a dar sinais de que a idade lhe havia chegado. Decidiram, não antes sem muita ponderação, adotar um menino, de uns onze anos, para que pudesse receber educação apropriada e ser o ajudante de Matthew. Mas, a mão da Providência já havia agido na vida deles, e através de um erro de comunicação, uma menina ruiva, tagarela e sardenta ocupou o lugar do menino. Anne, assim que chegou a Green Gables, fica sabendo do engano, mas com sua imaginação fértil e conversa afiada, já havia conquistado o coração de Matthew. E assim começa a história de suas aventuras fascinantes, com sua “amiga do peito” Diana, e sua competição com o inteligente e perspicaz Gilbert Blyhte. À medida que Anne foi aceita em Green Gables, ela conquista também a admiração de toda a cidade de Avonlea e o encanto do seu mundo de sonho e imaginação se espalha e vai contagiar você também. Fonte Skoob


L. M. Montgomery expressa muita sensibilidade e emoção com sua narrativa envolvente e elegante. Sempre gosto muito e acho interessante ler um livro pelos olhos de uma personagem infantil.
Apesar de ser um clássico de 1908, a linguagem é bem acessível e a autora nos apresenta a vida no campo canadense. Em toda a narrativa há várias descrições da paisagem bucólica de Avonlea e o encantamento de Anne sobre Green Gables. A autora coloca muito de suas memórias de infância na obra que encanta o leitor.



A maior parte desta narrativa é acompanhando Anne, uma órfã que por engano foi enviada aos Cuthbert, porém os irmãos: Marilla e Mathew decidem ficar com a menina para criá-la.
Anne é uma personagem inigualável, muito inteligente e curiosa, tem o dom de meter-se nas maiores atrapalhadas. De temperamento bem forte ela não consegue controlar suas emoções e impulsos nos rendendo muitas risadas durante a leitura. Muito emotiva, Anne nos cativa “no primeiro olhar” nos emocionando com seu jeito simples e ambicioso, tempestuosa e amorosa. Sendo muito esquisita para sua época, quase sempre está no centro de muitas discussões e sempre julgada por seu comportamento fora do comum.
Diana, a melhor amiga de Anne, que embora tenha sido criada para agir e pensar como menina/mulher daquela época, ela não julga e nem se afasta de sua melhor amiga. É notável a grande admiração e carinho que Diana tem por Anne Shirley, e juntas constroem uma amizade bonita, sólida e muito envolvente.

“… Suponho que a senhorita está acostumada a dormir em quartos maravilhosos. Mas somente imagine o que teria sentido se fosse uma pequena órfã, que nunca teve uma honra dessas.” Pág.: 119

Mathew e Marilla Cuthbert, são irmãos bem distintos. Marilla com seu rigor, tendo muitos desejos reprimidos, acredito que um dia ela tenha sido como Anne, e acaba tomando por missão educar a menina conforme o padrão da sociedade. Mathew é bem o oposto, muito pacífico, muito tímido, porém nunca esconde sua admiração por Anne.
Na trama há outros personagens que compõe este cenário campestre e bem familiar, como Mrs. Lynde, a fofoqueira de Avonlea, mas que está sempre disposta a ajudar os amigos. Outros personagens bem importantes são os colegas da escola de Anne que vão aprontar muito com a menina.

A estória em si não tem muito de extraordinário, mas conduzida com maestria e sensibilidade. Algumas de minhas reflexões foi sobre como sempre (não importa a época), a sociedade repudia o diferente, o excêntrico, ao invés de escutar e tentar entender. O preconceito que parece sempre estar enraizado nas pessoas para com os diferentes, menos favorecidos e todos que não se encaixam com a maioria de um grupo social. O mais triste é que ainda existe e acredito que vai demorar muito para que mude.

Um clássico Canadense, que me cativou com uma heroína tão sincera e verdadeira. O livro tem continuações, mas este primeiro livro fecha um ciclo na vida da Anne, porém quero muito acompanhar a saga desta garota “ruivinha”.

Quote:
- Você põe o coração com tanto ardor nas coisas, Anne – disse Marilla, com um suspiro - , que temo que existam muitas desilusões guardadas para você na vida”. Pág.: 73

P.S.: A Editora Pedrazul está lançando os livros da série, o próximo se chama Anne de Avonlea, Anne de Green Gables é o primeiro de uma série de 8 livros.


Adaptação em série pela Netflix

Anne with an E


Ficha técnica:
Diretora: Niki Caro
Roteiro: Moira Walley-Beckett
Elenco: Amybeth McNulty, Geraldine James, R. H. Thomson, Dalila Bela, Michele Giroux, Lucas Jade Zumann, Helen Johns.

Começando pela abertura que é linda, a série consegue transmitir as paisagens descritas na obra, que são de tirar o fôlego. A atriz que interpreta Anne(Amybeth McNulty), foi uma das melhores escolhas do elenco, consigo visualizá-la durante a leitura.
Os demais personagens também foram bem elencados, desde a Marilla Cuthbert(Geraldine James), à Gilbert Blythe(Lucas Jade Zumann).
O enredo da série é adaptado, portanto não é fiel ao livro, com algumas modificações que não achei necessárias, mas não é de todo ruim. O que mais gostei foi que a essência foi mantida.
A adaptação consegue emocionar muito (nem preciso dizer que chorei em vários episódios), com muita delicadeza e uma fotografia digna de premiação. A série foi renovada, então vamos aguardar mais de Anne e suas aventuras.

Trailer da Série:
        

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Resenha: A Rosa da Meia-Noite, Lucinda Riley


Sinopse: Atravessando quatro gerações, A Rosa da Meia-Noite percorre desde os reluzentes palácios dos marajás da Índia até as imponentes mansões da Inglaterra, seguindo a trajetória extraordinária de Anahita Chavan, de 1911 até os dias de hoje.

Uma paixão para a vida toda. Uma procura sem fim.

No apogeu do Império Britânico, a pequena Anahita, de 11 anos, de origem nobre e família humilde, aproxima-se da geniosa Princesa Indira, com quem estabelece um laço de afeto que nunca mais se romperia. Anahita acompanha sua amiga em uma viagem à Inglaterra pouco tempo antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial. Ela conhece, então, o jovem Donald Astbury, herdeiro de uma deslumbrante propriedade, e sua ardilosa mãe.
Oitenta anos depois, Rebecca Bradley é uma jovem atriz norte-americana que tem o mundo a seus pés. Quando a turbulenta relação com seu namorado, igualmente rico e famoso, toma um rumo inesperado, ela fica feliz por saber que o seu próximo papel uma aristocrata dos anos 1920 irá levá-la para muito longe dos holofotes: a isolada região de Dartmoor, na Inglaterra. As filmagens começam rapidamente, e a locação é a agora decadente Astbury Hall.
Descendente de Anahita, Ari Malik chega ao País sem aviso prévio, a fim de mergulhar na história do passado de sua família. Algo que ele descobre junto com Rebecca começa a trazer à tona segredos obscuros que assombram a dinastia Astbury. Fonte Skoob


A autora Lucinda Riley é famosa pelos seus romances/dramas, e foi meu primeiro contato com sua escrita. De início achei um pouco entendiante, porém a medida que a estória evolui os personagens nos cativa, a estória toma outros rumos e isso deixa o livro muito instigante e a leitura fica mais prazerosa.
O livro se alterna em 1920 e nos anos 2000, tudo começa com a personagem central: Anahita, que é indiana e teve sua vida bem mudada quando foi morar na Inglaterra. Quando o livro alterna para os dias de hoje, a estória é voltada para seu neto Ari, e também nos apresenta Rebecca que é uma atriz de sucesso, mas esta meio perdida emocionalmente. Devido a um acontecimento, Ari se ver aprofundado na estória de vida de sua avó, ele embarca para a Inglaterra para descobrir sobre sua família e no caminho ele encontra Rebecca que resolve ajudá-lo.

Quando o livro é narrado pela Anahita, a autora expõe as dificuldades de uma mulher indiana que sofre muito preconceito, por sua cor, crença e falta de dinheiro. E seu terrível martírio é confirmado quando ela se apaixona por um aristocrata inglês. O romance dos dois é lindo e tem alguns desencontros trazendo sofrimento para ambas as partes. Com uma mãe muito preconceituosa e má, o jovem se ver pressionado a terminar seu relacionamento com a nossa heroína.
Anahita é a melhor personagem, que embora tanta tristeza e dificuldades que aparecem em sua vida, ela sempre volta a ter um pouco de esperança nas pessoas. O mais importante está no cerne desta protagonista que é a sua bondade para com o próximo, não importando quem seja. Dona de um espírito lindo, doador e livre, Anahita tenta lidar com o preconceito da melhor maneira possível.
Rosa Dama da noite
Com uma narrativa impecável, a autora nos convida a viajar no tempo nos mostrando uma Índia e Inglaterra antigas. Ao que parece a autora estudou sobre cultura e religião da Índia na década de 20, o que enriqueceu mais sua estória e deu credibilidade para seus personagens indianos. É nítido o conhecimento da mesma em algumas passagens em que a autora descreve da Índia sob o domínio britânico. O desenrolar desta estória cativa o leitor pela sensibilidade na escrita e a emocionante narrativa de seus personagens, uma leitura recheada de emoções. O crescimento dos personagens são bem conduzidos, com alguns desfecho nada previsíveis. Com um ritmo frenético do meio para o final, descobrimos vários mistérios que torna toda a trama mais interessante e que conseguimos assimilar melhor as motivações dos personagens. Houve um capítulo que quase perdi o fôlego durante a leitura. No livro também encontramos misticismo e crenças Hindu, própria de sua época e seguidor. A sinopse e resenhas deste livro só consegue atingi a superfície das emoções, tramas e subtramas que estão na estória deste livro.

Ao ler este livro prepare-se para fortes emoções, Lucinda Riley sabe conduzir como ninguém este romance que apesar do drama, pude chorar com o amor e esperança desta estória.

Quote:
Aquele momento, sem o véu da nobreza indiana sobre meus ombros, foi a primeira vez em que provei o preconceito racial na Grã-Bretanha, o país que nos regia há mais de cento e cinquenta anos. Infelizmente, não seria o único.” Pág.: 199

sábado, 28 de outubro de 2017

Resenha: O Par Perfeito, Nora Roberts - Livro 3 da Trilogia A Pousada


Sinopse: Mesmo sendo conhecido como o mais durão dos irmãos, Ryder Montgomery deixa as mulheres aos seus pés quando coloca seu cinto de ferramentas. Nenhuma delas é imune a seu jeito sexy quando está no trabalho. Sem contar, é claro, Hope Beaumont, a gerente da Pousada BoonsBoro.

Ex-funcionária de um luxuoso hotel em Washington, Hope está acostumada à agitação e ao glamour, porém isso não significa que ela não aprecie os prazeres da cidade pequena. Sua vida está exatamente como ela deseja – exceto pela questão amorosa. Sua única interação com alguém do sexo oposto são as frequentes discussões com Ryder, que sempre lhe dá nos nervos. Ainda assim, qualquer um vê que há uma química inegável entre os dois.

Enquanto o dia a dia na pousada transcorre sem problemas graças aos instintos infalíveis de Hope, algumas pessoas de seu passado estão prestes a lhe fazer uma indesejável – e humilhante – visita. Mas, em vez de se afastar ao descobrir que Hope tem seus defeitos, Ryder só fica mais interessado por ela. Será que pessoas tão diferentes podem formar um par perfeito?

No livro que encerra a trilogia A Pousada, Nora Roberts apresenta Ryder Montgomery, que, ao tentar driblar o amor refugiando-se no trabalho, acabou sendo surpreendido pelo sentimento mais nobre e profundo que já teve. Fonte Skoob



O irmão mais fechado e durão dos Montgomery vai ser o protagonista deste livro. Ryder sempre foi um conquistador e sua cama nunca ficou sem mulher. Sem relacionamentos duradouros, ele não esteve muito envolvido em seus relacionamentos, sem dar brechas para revelar suas emoções. Sem nunca ter uma mulher que o instigasse ou que o desprezasse até a chegada de Hope, nova na cidade e gerente da Pousada, que aparentemente parece perfeita, mas que aos poucos certos defeitos aparecem e vão atraindo Ryder.

Mantendo a linha de casal improvável da autora, os protagonistas são de mundos bem diferentes e mal se conhecem. Hope é uma mulher da cidade grande que estava no ápice de sua carreira e vida pessoal, quando recebeu um duro golpe de traição da pessoa que pensava amar e confiar. Sua vida acaba tendo uma mudança drástica quando ela vira gerente de uma Pousada numa cidade pequena, onde todos se conhecem e que as notícias e fofocas são disseminadas rapidamente. Adaptando-se, Hope acaba gostando desta vida calma, sem tanto glamour e com pessoas mais verdadeiras, nas quais ela vai aprender a confiar.

No livro anterior temos a introdução deste casal, que a princípio não se suportam, o que deixa toda a estória bem mais instigante. De início é uma atração, mas ao longo da leitura essa relação vai tendo mais profundidade e sentimentos envolvidos. Para Ryder, o protagonista, é difícil experimentar esses novos e complicados sentimentos que sente por Hope, a qual tem um temperamento leve e se relaciona bem com as pessoas, porém ela se vê insegura em confiar outra vez e se apaixonar.

O casal tem seu desenvolvimento satisfatório e crível. Como é o último livro da trilogia, a autora continua a estória dos outros dois casais e temos um destaque para a mamãe Montgomery, que também tem um relacionamento amoroso que fica difícil para seus três filhos aceitar, com cenas divertidas e muito ciumentas.

Na trama sobrenatural, temos a finalização de toda a estória misteriosa do casal que se perdeu durante a Batalha de Antietam. Uma estória de tragédia com um grande amor que resistiu ao tempo. Embora seja triste, a trama é muito bonita que ao expor a verdade tudo se liberta.

Chegamos ao final de uma trilogia bem escrita e bem desenvolvida, não poderia estar mais feliz com este último livro que encerra as estórias da família Montgomery, com um belo desfecho que deixou esta leitora suspirando.

domingo, 27 de agosto de 2017

Nossas Noites

Nossas Noites de Kent Haruf

Ano – 2017.
Páginas – 160
Editora – Companhia das Letras
Gênero – Romance

Sinopse: Em Holt, no Colorado, Addie Moore faz uma visita inesperada a seu vizinho, Louis Waters. Viúvos e septuagenários, os dois lidam diariamente com noites solitárias em suas grandes casas vazias. Addie propõe a Louis que ele passe a fazer companhia a ela ao cair da tarde para ter alguém com quem conversar antes de dormir. Embora surpreso com a iniciativa, Louis aceita o convite. Os vizinhos, no entanto, estranham a movimentação da rua, e não demoram a surgir boatos maldosos pela cidade. Aos poucos, os dois percebem que manter essa relação peculiar talvez não seja tão simples quanto parecia. Neste aclamado romance, Kent Haruf retrata com ternura e delicadeza o envelhecimento, as segundas chances e a emoção de redescobrir os pequenos prazeres da vida que pode surpreender e ganhar um novo sentido mesmo quando parece ser tarde demais.
                                                                                                                                            Fonte: Skoob





Nossas noites é um livro com uma premissa surpreendente e inovadora, ao menos para esta leitora. Como revela a sinopse, certo dia, Addie bate a porta de seu vizinho Louis, com a seguinte proposta: que ao cair da noite, ele se dirija até a casa dela para que os dois passem as noites juntos. Sem malícia, sem segundas intenções, apenas porque aos 70 anos e viúva, Addie se sente solitária demais, com dificuldades até mesmo para dormir, caso que imagina ela, seja o mesmo de Louis, viúvo e vivendo sozinho.

Embora surpreso com a proposta e um tanto descrente, Louis curioso, decide aceitar. A partir de então, com a chegada da noite Louis põe seu pijama e sua escova de dentes em um saco e caminha até a casa da vizinha. Os dois passam a desenvolver aos poucos uma amizade que os enche de coragem e força para suportar as línguas maldosas e o preconceito da comunidade.



A construção da amizade e confiança entre o casal é encantador, noite após noite um descobre um pouco mais sobre o outro, compartilhando suas histórias de vida, com bom humor, e sensibilidade, possibilitando ao leitor conhecer os personagens na mesma medida em que a relação deles vai crescendo. É interessante a maneira sincera com que falam de seus erros e suas dores, dos pecados e mortes que tiveram que superar ao longo de 70 anos de vida, agora já maduros, munidos de segurança para revelar quem realmente são, sem se preocupar com aparências.


A narrativa expõe de maneira singela as dificuldades da velhice, a solidão e os comportamentos esperados de cada um, de acordo com a fase da vida em que se encontram. Mais personagens vão sendo inseridos no enredo e desta forma, conhecemos diferentes pontos de vista da velhice. Por meio de Ruth uma simpática senhora, temos a representação daqueles idosos que não tem família, que vivem sós e que até certo ponto perderam um pouco do apetite por viver, se isolando pouco a pouco.

Com os amigos de Louis, vemos a representação dos grupos de idosos que se unem, para socializar, para lembrar os velhos tempos ou apenas para fofocar. Com Louis e Addie, temos a representação daqueles que ainda querem viver, daqueles que querem provar para si mesmos que podem sim viver, experimentar, mesmo que isso signifique correr riscos.

Com o passar das páginas, conhecemos o filho e o neto de Addie que irão representar um papel importante na história, Gene o filho, passa por dificuldades de natureza pessoal e profissional e precisa que sua mãe cuide do neto Jamie por algum tempo. A partir deste ponto, vemos como os conflitos familiares exercem pressão sobre nós, sejamos crianças ou idosos.

Os protagonistas conseguem desenvolver uma relação amorosa e confiante com o garotinho Jamie, no entanto encontram preconceito e desconfiança em Gene, que se coloca no papel de controlar e limitar as ações de sua mãe, nos dando amargas demonstrações do quão ingratos e incompreensivos alguns filhos podem agir com seus pais.

Obviamente não revelarei aqui o final do livro e consequentemente o desfecho da história de Louis e Addie, me limito a dizer que o livro é sútil, sua história é tocante principalmente se nos imaginarmos no papel dos simpáticos velhinhos, e claro a narrativa já merece reconhecimento por tratar de um tema pouco comum, ao menos em minhas leituras. A linguagem é de fácil compreensão, os capítulos e o número de páginas são curtos, ou seja, tudo contribui para aquela leitura de uma sentada. E no final, você ainda fica com aquele gostinho de quero mais, quero ler mais, quero viver mais, quero conquistar uma boa velhice.



sexta-feira, 28 de julho de 2017

Resenha: O Eterno Namorado, Nora Roberts - Livro 2 da Trilogia A Pousada


Sinopse: Tudo o que acontece na vida de Owen Montgomery é meticulosamente organizado em uma planilha ou lista de tarefas. No trabalho não é diferente, e é graças a sua obsessão por ordem que a Pousada Boonsboro está prestes a ser inaugurada – dentro do cronograma.

A única coisa que Owen jamais previu foi o efeito que Avery MacTavish teria sobre ele. A proprietária da pizzaria em frente à pousada sempre foi amiga da família e agora, enquanto vê em primeira mão a fantástica reforma pela qual o lugar está passando, também observa a mudança gradativa de seus sentimentos por Owen.

Os dois foram namorados de infância, e desde então tinham estado bem distantes dos pensamentos um do outro. O desejo que começa a surgir entre eles, porém, não tem nada de inocente e é impossível de ignorar. Fonte skoob
 

Enquanto Owen e Avery decidem se render à paixão e levar seu relacionamento a um nível mais sério, a inauguração da pousada se aproxima e dá a toda a cidade um motivo para comemorar. Mas quando os traumas do passado de Avery batem à porta e a impedem de se entregar, Owen sabe que seu trabalho está longe de terminar. Agora ele precisa convencê-la a baixar a guarda e perceber que aquele que foi seu primeiro amor pode também ser seu eterno namorado.

Continuando a trilogia da Pousada Boonsboro, chegamos ao segundo livro, com foco no irmão Montgomery: Owen. Ele é um personagem bem metódico e que toda sua vida sai “de acordo com o plano”. Sendo advogado, ele cuida das papeladas e trâmites legais para o empreendimento da família. Os Montgomerys tem como vizinha de frente a pousada, a pizzaria Vesta que é regida por Avery, amiga antiga dos meninos Montgomerys. Avery é o completo oposto de Owen, ela é extrovertida, sempre está nos limites dos horários e prazos, sempre mais 5 minutos e é uma pessoa que não planeja tanto sua vida pessoal. Dona de um espírito aventureiro ela tem um ritmo acelerado e foi criada pelo pai Willy B., o qual foi amigo do falecido Tommy Montgomery.



Avery e Owen é um casal bem improvável e com muitas diferenças, eles tem química juntos, mas o leitor fica se perguntando se vai dar certo, porque o relacionamento deles é posto a prova constantemente. O passado de Avery com sua mãe é bem problemático e isso volta a tona em alguns capítulos, que acaba perturbando o casal. Owen também passa por altos e baixos, porque Avery não vive “de acordo com o plano”, ela realmente entra em sua vida para desestabilizar.

O interessante deste casal, que gostei muito, foi que eles são os melhores amigos, e o leitor acompanhar este relacionamento evoluir para um amor romântico e continuar a amizade e cumplicidade.

Como é uma família temos uma continuação do casal anterior e mais dos protagonistas do próximo livro. Em destaque de personagem secundário temos o pai de Avery, Willy B. Que se mostra um pai excepcional, e um homem bom que não guarda mágoa, disposto a perdoar para sua paz de espírito e tornar a vida mais fácil para todos.



A autora consegue amadurecer bem estes dois personagens, que foi o ponto alto de toda a trama, mostrando que só através do amor, diálogo e respeito duas pessoas podem conviver, apesar de suas diferenças. O livro também insere mais do sobrenatural, das estórias das “assombrações” do local, que fica bem instigante.



Um livro divertido, com uma carga dramática familiar bem crível e envolvente bem resolvida e personagens cativantes.


quinta-feira, 20 de julho de 2017

Resenha: Um Novo Amanhã, Nora Roberts - Livro 1 da Trilogia A Pousada


Sinopse:
A tradicional pousada da cidade de Boonsboro já viveu tempos de guerra e paz, teve diversos donos e até sofreu com rumores de assombrações. Agora ela está sendo totalmente reformada, sob direção dos Montgomerys, que correm para realizar a grande reinauguração dentro do prazo.

Beckett, o arquiteto da família, é um charmoso conquistador que passa a maior parte do tempo falando sobre obras, comendo pizza e bebendo cerveja com seus irmãos Ryder e Owen. Atarefado com a pousada, ultimamente nem tem desfrutado de uma vida social decente, mas pretende mudar logo isso para atrair a mulher por quem é apaixonado desde a adolescência.

Depois de perder o marido na guerra e retornar para Boonsboro, Clare Brewster leva uma vida tranquila cuidando de sua livraria e dos três filhos. Velha amiga de Beckett, ela volta a se reaproximar dele ao ajudar nos preparativos da pousada.

Em meio a essa apaixonante reconstrução, rodeados de amigos, Beckett e Clare passam a se conhecer melhor e começam a vislumbrar um futuro novo e promissor juntos.

Neste primeiro livro da trilogia A Pousada, Nora Roberts apresenta o romântico Beckett Montgomery, que, ao buscar realizar o sonho de sua família, acaba deparando com um amor que pensava estar esquecido.
FonteSkoob


Neste primeiro volume temos uma apresentação breve dos Montgomerys, em foco Beckett, que é o arquiteto que está desenvolvendo toda a planta e projeto da pousada. Ele é muito charmoso e conquistador, mas nunca deixou de amar Clare, uma bela mulher que na adolescência se apaixonou pelo amigo de Beckett e depois se casou e mudou-se da cidade, deixando Beckett Montegomery com o coração partido e fechado para o amor.
Com o passar do tempo Clare volta a cidade, mas agora viúva e com três filhos. Ela monta sua livraria e tenta continuar sua vida e das crianças, criando-as e superando sua perda.
Clare sempre teve um carinho especial com a família Montegomery, e Beckett faz seu coração bater mais forte, será que esses dois vão se acertar desta vez?


A autora começa esta série com um livro introdutório bem escrito, um casal crível e algumas subtramas bem instigante. Nora Roberts tem uma escrita fluida e cativante, que prende o leitor do início ao fim.


Seus personagens são bem construídos e críveis. Clare é uma mulher independente que depois da morte de seu marido, viveu seu luto, mas está recomeçando a viver de novo por ela e por seus três filhos, que também tentam superar a perda do pai. Ela é determinada, cuida de sua livraria na cidade e se reaproxima de Beckett, que se descobre se apaixonado novamente. Beckett, protagonista deste livro, se mostra um homem bem fechado, com certa dificuldade de lidar com seus sentimentos em relação à mocinha. Tentando lutar com suas dificuldades de demonstrar sua paixão, agarrando a chance que agora tem com a mulher que sempre amou.
Os personagens secundários são importantes para trama e temos introdução de cada um deles que serão protagonistas nos próximos livros, que são os outros dois irmãos Montegomery: Owen e Ryder e suas futuras amadas.
Com a reforma da Pousada, temos também um pano de fundo sobre a Batalha de Antietam
que realmente aconteceu nos EUA, a autora aproveita este fato histórico para inserir um romance fictício que aconteceu durante a guerra e que tem forte relação no local da pousada.


O romance tem um toque sobrenatural que acrescenta a estória. Cheio de romance, cenas picantes, carinhosas e bem família. Leitura boa, que aquece o coração.


Quote:
- Perfeito. Qual é o nome deste quarto?
- Elizabeth & Darcy.
- Ah, eu amo Orgulho e Preconceito. Como vocês vão… Não, não me conte. Assim nunca vou voltar para o trabalho.” Pág.: 42

domingo, 9 de julho de 2017

Resenha: O Perfume da Folha de Chá, Dinah Jefferies

Sinopse:
Em 1925, a jovem Gwendolyn Hooper parte de navio da Escócia para se encontrar com seu marido, Laurencek no exótico Ceilão, do outro lado do mundo. Recém-casados e apaixonados, eles são a definição do casal aristocrático perfeito: a bela dama britânica e o proprietário de uma das fazendas de chás mais prósperas do império. Mas ao chegar à mansão na paradisíaca propriedade Hooper, nada é como Gwendolyn imaginava: os funcionários parecem rancorosos e calados, e os vizinhos, traiçoeiros. Seu marido, apesar de afetuoso, demonstra guardar segredos sombrios do passado e recusa-se a conversar sobre certos assuntos. Ao descobrir que está grávida, a jovem sente-se feliz pela primeira vez desde que chegou ao Ceilão. Mas, no dia de dar à luz, algo inesperado se revela. Agora, é ela quem se vê obrigada a manter em sigilo algo terrível, sob o preço de ver sua família desfeita. Fonte
 

Com uma leitura fluida, a autora nos remete aos anos 1920 e 1930 com riqueza de detalhes de acontecimentos e costumes da época. Em suas pesquisas Dinah procurou escrever um romance com personagens críveis e atmosfera bem realística. Foi meu primeiro contato com sua narrativa que percebi ser bem sensorial, como gosto muito de chá parecia que o cheiro perfumava o ar durante a leitura.

Os personagens de sua trama são bem construídos, a autora quis colocar sempre um mistério em seus personagens. Laurence é um viúvo que se casa novamente, mas mantêm muitos segredos inclusive de sua esposa. Apesar de ser um marido amoroso e empresário bem-sucedido, ele tem umas atitudes que irritam, principalmente seu silêncio que atormentaram sua esposa e ao próprio leitor. Verity é a irmã de Laurence, e a pessoa mais egoísta, mimada, manipuladora e dissimulada de toda a estória, em cada capítulo que ela aparecia minha vontade era de esganá-la. Fran, amiga/prima de Gwen é uma pessoa bem otimista, independente e amorosa, uma personagem que o leitor se apaixona “a primeira lida”, porém ela tem um hiato na estória que só piora a situação de sua prima.
Gwen, a protagonista, chega de Londres bem jovem ao Ceilão, recém-casada e muito imatura tomando decisões sem pensar direito, movida por puro medo, desespero e preconceito. Essa é a parte que mais me incomodou durante a leitura. Demorei para finalizar porque o drama desta personagem é terrível e angustiante, que me emocionou muito custando a continuar a leitura, acredito ser esta a intenção da autora que mexeu comigo. Realmente é o drama dolorido que me fez refletir bastante sobre uma mulher na posição dela, naquela época. O leitor acompanha o amadurecimento de Gwen que vem de uma família rica e depois de se casar se ver nas difíceis situações que se envolve e acaba se desesperando o que torna sua vida bem complicada e infeliz, porém a protagonista é bem forte e tem muita vontade de viver, o que a ajuda no seu processo.

A estória traz muito a discutir, a posição da mulher nas décadas de 20 e 30 que ainda estavam engatinhando em suas conquistas, a questão da miscigenação de raças: brancos e cingaleses, tâmis, casamentos inter-raciais que na época, que se passa a estória do livro, não eram vistos com “bons olhos britânicos”, por causa de seus descendentes não serem fiéis a Coroa. Outra questão abordada foi o amor incondicional, aquele em que o sangue clama, que vai além da cor, aparência, raça, questões muito relevantes inclusive atualmente. A autora também escreve sobre mão de obra barata que se tem com pessoas de raças menosprezadas, as dificuldades de pessoas submetidas a supremacia dos brancos e ricos, as tentativas dos sindicatos (ainda bem nos primórdios) em conquistar condições dignas para esses trabalhadores, mal-remunerados que lutavam por sua sobrevivência.
Um sentimento que permeia muitos os protagonistas deste romance é a culpa e o medo numa dimensão que contagia o leitor, sentimentos bem difíceis de lidar, principalmente numa vida a dois. E nesta relação mostra a importância de quanto o diálogo é importante no casamento e quanto os segredos podem destruir pessoas, em especial os inocentes.

O perfume da folha de chá é um drama sofrido que indico a todos que gostam do gênero e àqueles que querem sair da zona de conforto dos romances românticos, porque este livro é de incomodar o leitor, com uma forma bem reflexiva e um desfecho bem conduzido e uma boa leitura.