segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Resenha: Encontro às Cegas, Carolina Aguirre

Quando pensamos que nada mais pode dar errado na vida da Lúcia, fica tudo muito pior. É uma montanha-russa de emoções com pitadas de humor negro durante todo o livro, que vale a pena ler cada página.

Antes de mais nada, devo comentar que é um romance bem diferente do que costumo ler, a autora é Argentina e o romance é todo em forma de diário, ou seja, não há capítulos só dias do mês no qual, Lúcia escreve como se sente e como  foi o episódio do dia. Também é ambientado na Argentina e com costumes de lá. É todo em primeira pessoa e com alguns diálogo. Confesso que de início foi difícil pegar o ritmo, por não ter tido contato com esse tipo de romance, mas quando você pega o jeito não consegue mais parar de ler. A narrativa da autora é fluída e com muito humor negro, o que não deixa de ser divertido de uma maneira diferente. A estória começa com uma aposta que a mãe da Lúcia faz com a filha Irina, que vai se casar. A mãe aposta que Lúcia não consegue um namorado firme até o casamento da Irina para levar como acompanhante, ela perdendo paga todo o casamento da filha. Só que nossa protagonista escuta tudo e ver essa aposta como um desafio, então ela põe como propósito arrumar “O Cara” para levar no casamento da irmã. Esse é  plot o livro, a autora coloca todo o cotidiano de uma família bastante conturbada, problemática e uma mãe muito perversa e muito superficial, sinceramente odiei esta personagem que me dava nos nervos todas as vezes que aparecia em cena.
Lúcia é uma jovem de 30 anos, um pouco acima do peso e com uma estima bem baixa. A protagonista me conquistou logo de início, ri horrores com suas atrapalhadas e com muitos encontros desastrosos. Lúcia não tem muitas amigas e as que ela tem, são umas verdadeiras cobras, que fazem piadas sacanas e bem inapropriadas. Os caras que passam pela sua vida são bem diferentes um do outro e Lúcia costuma a colocar seus defeitos no centro de tudo, fazendo com que ela esqueça que são pessoas e vão sim ter defeito o diferencial é a maneira de encará-los e contornar esses defeitos que às vezes não são o fim do mundo. Mas não se engane Lúcia é bem psicótica e reconhece isto, o que fez gostar muito dela que usa o sarcasmo com ela mesma para colocar um pouco de humor nas situações complicadas em que se mete. A personagem principal não fica dando uma de coitadinha, ela sabe que a vida não é fácil e que faz muitas coisas erradas e sem sentido e que tem o dom para se meter em confusão.

O final bem satisfatório, mas que para mim precisava sim de um epílogo, a protagonista amadurece e com ela aprendemos que tudo na vida é passageiro e que a vida pode ser divertida e muito agradável quando a pessoa certa para você, que muitas vezes você não quer ela, mas é a que você precisa.

Quote:
“A cara da minha mãe foi algo que jamais vou esquecer, porque foi a mesma que Lex Luthor fez quando viu que o Superman estava vivo. Uma mistura de terror e assombro.” Pág.: 89

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