segunda-feira, 6 de julho de 2015

Resenha: Planeta dos Macacos, Pierre Boulle


Em pouco tempo, os desbravadores do espaço descobrem a terrível verdade: nesse mundo, seus pares humanos não passam de bestas selvagens a serviço da espécie dominante... os macacos.


Uma obra que ganhou várias adaptações desde os anos 60 e que pode impactar o leitor até hoje. Não esperava que fosse gostar da leitura do livro, sendo grande fã dos filmes achei que funcionaria melhor nas telonas, porém Pierre Boulle consegue surpreender. De início não foi fácil ler, mas quando você assimila melhor a narrativa do autor e toda a trama apresentada, me vi inteiramente envolvida e desesperada pelo desfecho. Por ser uma obra de ficção científica, temos alguns dados de física, que não se estende muito, e eu sou totalmente leiga neste departamento, mas não achei difícil lidar com esta parte. Depois o autor nos apresenta um mundo totalmente novo e inesperado, como macacos podem dominar humanos? E como eles aprenderam a falar e evoluir? E quando humanos dotados de inteligência deixaram ser tratados como selvagens? E pior sem falar coisa alguma.
Acredito que esse seja o maior questionamento que a obra faz com o leitor, o que nos torna humanos? Será que outras espécies não teriam esta chance se fossem tratados de maneira diferente?

O personagem principal é o Ulysse que nos conta através de um manuscrito o que aconteceu com ele e seus companheiros de viagem, explorando outras galáxias. O protagonista conseguiu passar todo o horror que poderia ser quando os humanos não fossem a espécie dominadora,  sendo submetidos a todo e qualquer tipo de testes de laboratório sendo os humanos cobaia.
O que me surpreendeu foi como o autor colocou o caráter independente de ser humano ou macaco, mostrando que temos o bem e o mal dos dois lados. Um personagem interessante é a macaca Zira, que é uma cientista e sofre preconceito machista entre os macacos por ser uma fêmea, igual os humanos que resistem e tem seu machismo até hoje em dia. Zira é a única que dá crédito a Ulysse o único humano que pode falar e pensar, sendo surpreendida por ele diversas vezes, e depois criando afeição por ele a ponto de não trata-lo mais como uma besta selvagem.

Nenhuma adaptação de “Planeta dos Macacos” foi fiel, a que se assemelha bem próximo foi a adaptação de 1968, porém nem o autor do livro gostou do final. Acredito que a ideia do livro se manteve em todas as adaptações, inclusive nesta mais recente de 2014.

Uma trama de gênio, que nos traz questionamentos sobre comportamento e até onde é certo ou errado ir, com um final surpreendente e bem diferente é uma excelente leitura de ficção científica. Recomendada.

*Nota:
Nesta edição da Editora Aleph, vem um posfácio recheado de informações super importante sobre o autor, obras e uma entrevista espetacular com Pierre Boulle. Ainda nesta edição vem informações também sobre a adaptação feita em 1968.

Quote:
“A cem passo dali avistei outro gorila, similar ao primeiro. Eu assistia a caçada – participava dela também, ai de mim! - , uma caçada fantástica em que os caçadores, postados a intervalos regulares, eram macacos, e a caça acuada, constituída por homens e mulheres como eu,...” Pág.: 47

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